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A TOYOTA ESTÁ PREPARADA PARA SER LÍDER?
 
Autor: José Fucs
 
Ao ultrapassar a GM, a empresa teme a reação da concorrência, a xenofobia... e sua própria arrogância

A Toyota desbancou a General Motors (GM) e se tornou a maior fabricante de veículos do mundo em 2007. No primeiro trimestre deste ano, a montadora vendeu 2,348 milhões de veículos contra os 2,335 milhões da concorrente americana. A Toyota também passou a GM em produção. No mesmo período, a japonesa fabricou 2,367 milhões de unidades – 32 mil a mais que a GM. A disputa entre as empresas acirrou-se no início do ano. Em fevereiro, o jornal The New York Times dedicou a capa de sua revista de domingo ao tema. Quase ao mesmo tempo, a revista Newsweek fez uma reportagem sobre o assunto. Em março, a Toyota foi o destaque de uma reportagem especial da revista Fortune sobre as empresas mais admiradas dos Estados Unidos e do mundo. Foi a única empresa não-americana incluída na lista das 20 mais admiradas do país, produzida a partir de uma pesquisa feita com 5 mil executivos. Na lista das melhores do mundo, obteve um honroso segundo lugar, atrás apenas da General Electric (GE).

Não é à toa que a Toyota está em evidência. Seus resultados são impressionantes. Em 2006, ela produziu 9 milhões de carros, apenas 1,8% a menos que a GM. Suas vendas mundiais cresceram 22%, ante apenas 0,9% da GM, segundo dados das duas empresas e da Oica, a associação internacional que reúne os fabricantes de veículos de todo o mundo. O valor de mercado da Toyota, calculado com base nos preços de suas ações na bolsa de valores, chegou a US$ 245 bilhões, o dobro de dois anos atrás. Hoje, é maior que os de suas cinco principais concorrentes juntas - GM, Ford, Daimler-Chrysler, Honda e Nissan.

Boa parte do sucesso da Toyota deve-se a seu excelente desempenho nos Estados Unidos, o maior mercado global. Atualmente, ela vende mais carros lá que no Japão. Mais da metade de seu lucro anual, de US$ 11 bilhões (RS$ 24,4 bilhões) em 2006, vem do mercado americano. Só no ano passado, a Toyota vendeu cerca de 2,5 milhões de carros nos Estados Unidos, um aumento de 10% sobre 2005. No mesmo período, as vendas da GM cresceram apenas 3,4% e as da Ford tiveram uma queda de 13,5%.

A Toyota fechou 2006 com uma fatia de 15,4% do mercado de veículos dos Estados Unidos. Ficou atrás apenas da GM e da Ford. Assim como está para superar a GM na liderança na arena global, também está para tomar o lugar da Ford na vice-liderança do mercado americano. Segundo a Power Information Network, divisão da J.D. Power & Associates, empresa especializada em informações do setor, os carros da Toyota ficam, em média, 27 dias nos pátios das concessionárias antes de ser vendidos. Os carros da BMW, 31 dias, e os da Honda, 32. Os carros da Ford e da GM demoram, em média, 82 e 83 dias, respectivamente, para ser vendidos, quase três vezes mais que os da Toyota. 


Esses números parecem tornar o avanço da Toyota inevitável. A questão agora, para muitos analistas do setor, é se ela está preparada para ser a líder. Foram necessários 50 anos para a Toyota chegar aonde chegou, desde que lançou, em 1957, seu primeiro veículo nos Estados Unidos, o Crown. A Toyota construiu uma reputação sólida com base em qualidade, tecnologia de última geração e veículos econômicos. Desenvolveu também um método inovador e eficiente de produção, conhecido como Sistema de Produção Toyota, que permitiu a redução dos custos. Mas tudo isso sem a pressão de concorrentes ávidos por destroná-la. Quando uma empresa chega à liderança, todos prestam atenção no que ela faz, para emular suas melhores práticas, e também em seus escorregões, para explorá-los comercialmente. Qualquer pequeno deslize pode se transformar, de repente, numa crise. Até os funcionários e os executivos podem se deixar levar pelo clima do "já ganhou".

Em meados do ano passado, por exemplo, uma série de recalls para troca de peças defeituosas em alguns modelos vendidos nos Estados Unidos chamuscou a obsessão da Toyota por qualidade. O caso foi tão sério que o presidente do conselho de administração da empresa, Fujio Cho, fez um pedido público de desculpas. "Sem qualidade", disse na ocasião, "não haverá crescimento para a Toyota."

No fim de 2006, a entrada da empresa na categoria de utilitários esportivos, com o lançamento do Tundra nos Estados Unidos, também colocou em xeque sua imagem de montadora mais ecológica do mundo (leia o quadro à pág. 56). Os veículos da categoria são considerados os maiores vilões do meio ambiente, porque gastam muito mais gasolina que os demais e provocam mais poluição. Para muita gente, isso fez a Toyota parecer com as três grandes montadoras do mundo - a GM, a Ford e a Daimler-Chrysler, que investiram menos em "tecnologias verdes".

A direção da Toyota já demonstra sinais de preocupação com a perspectiva de assumir a liderança do mercado global. A cultura da empresa, com foco na melhoria constante, parece incompatível com o oba-oba que costuma seduzir muitas empresas nessas ocasiões. Mas não é. "Ficar satisfeito em ser o número um e se tornar arrogante é o caminho que nós mais precisamos temer", afirma Katsuaki Watanabe, presidente mundial da Toyota. "A idéia de que a complacência vai ajudar o negócio é o maior sintoma da doença que atinge muitas grandes empresas." 


Além de evitar a complacência, a Toyota precisa crescer nos principais mercados emergentes, como China, Índia e Brasil, decisivos no mercado global, onde ainda está bem atrás dos concorrentes. No Brasil, onde se instalou em 1958, um ano depois de lançar o primeiro veículo nos Estados Unidos, a Toyota teve, durante muito tempo, uma presença tímida. Só em meados dos anos 90, com a estabilização da economia, anunciou a decisão de reforçar suas operações no país. Em 1998, inaugurou mais uma fábrica, em Indaiatuba, no interior de São Paulo. É lá que se produz o Corolla, carro-chefe da empresa no mercado nacional e veículo mais vendido do mundo, com um total de 30 milhões de unidades vendidas desde seu lançamento, em 1996. É lá s também que se fabrica a perua Corolla Fielder, lançada em 2004, líder na categoria. O objetivo da Toyota, hoje a quinta maior montadora do país, é ampliar sua participação de mercado dos atuais 3,6% para 10% até 2010, principalmente por meio do lançamento de mais modelos.

Falta ainda incluir um modelo popular em seu portfolio de veículos. Recentemente, a Toyota anunciou os planos de lançar um veículo do gênero para competir com o Logan, da Renault, vendido por US$ 6.200 (R$ 13 mil). "Tudo, do design aos processos de produção, será totalmente novo", afirma Katsuaki Watanabe, presidente mundial da Toyota. "Estamos pensando em uma forma de design com baixíssimo custo com uso de materiais superbaratos, e até em desenvolver novos materiais, se necessário."

A Toyota também não está livre do sentimento xenofóbico dos trabalhadores e sindicalistas americanos. Nos anos 80, eles promoveram um protesto contra os carros importados, em Detroit, onde se concentram as grandes montadoras americanas, e destruíram um veículo da Toyota em praça pública. Hoje, não por acaso, dois de cada três carros vendidos pela Toyota nos Estados Unidos são fabricados lá mesmo. Sua mais recente fábrica, a mais moderna das sete que possui em território americano, foi inaugurada no fim de 2006. Ao anunciar a abertura de 2 mil vagas para a fábrica, localizada em San Antonio, no Texas, a empresa atraiu cerca de 60 mil candidatos. Mesmo assim, o lobby nacionalista das montadoras e dos sindicalistas americanos não morreu. "Precisamos pensar o tempo todo sobre eventuais reações contra nós", diz Watanabe. "É muito importante para nossa empresa e nossos produtos ganhar cidadania nos Estados Unidos. Nós precisamos ter certeza de que fomos aceitos."

É claro que, nesse meio-tempo, a concorrência não ficará parada. Em 2006, a GM cortou US$ 9 bilhões em custos e eliminou 33 mil postos de trabalho. Isso a ajudou a ter um lucro de US$ 2,5 bilhões no ano passado, depois de perder US$ 10,6 bilhões em 2005. A GM também está investindo pesado no desenvolvimento de mais modelos. Fala-se, desde já, que a GM poderá comprar a Chrysler da Daimler-Benz, da Alemanha, para ganhar fôlego sem perder a liderança. "Não vejo a Toyota como um obstáculo que a GM não possa superar", afirma Bob Lutz, vice-presidente do conselho de administração da empresa americana. Nesta declaração está o cerne de uma nova era da indústria. Agora é a General Motors que quer superar a Toyota.
 
Bibliografia:
FUCS, José. A Toyota está preparada para ser líder? Revista Época, São Paulo, abril 2007, n. 464, Negócios & Carreira, p. 54 a 56
 
 
 
 

 

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