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CORTAR CUSTOS OU ELIMINAR DESPERDÍCIOS?
 
Autor: José Roberto Ferro
 
A redução de custos deve ser feita permanentemente através do foco na melhoria dos processos e eliminação dos desperdícios

O baixo crescimento da economia e as dificuldades específicas de alguns setores fazem com que muitas empresas retomem seus esforços de redução de custos, às vezes de formas inusitadas e polêmicas.

Chamou a atenção na semana passada o anúncio dos esforços de uma empresa aérea ao lançar novas medidas para enfrentar os significativos prejuízos em 2012, de cerca de R$ 1,5 bilhão.

Essa empresa tem estimulado, desde o início do ano, os seus pilotos a economizarem combustível com ações como reduzir a altitude de forma mais direta possível para o pouso, desligar um dos motores durante o taxiamento, deixar um dos reversos (freio) travado para pousar em pistas longas, usando os freios manuais, e fazer rotas mais diretas.

Os pilotos passarão a receber bônus por economia de combustível, que já teria atingido mais de R$ 4 milhões nos dois primeiros meses do ano, através da redução do tempo de voo e diminuição dos atrasos.

Além disso, a empresa vem reduzindo o número de comissários de bordo, diminuindo ainda mais os itens de seu serviço de bordo, entre outras medidas.

Essas medidas afetam a segurança dos passageiros? Afetam seu conforto? Melhoram as condições dos voos?

Não há consenso ainda sobre um eventual aumento dos riscos aos voos por causa dessas medidas. Pode preocupar os usuários com pouco conhecimento técnico. Mas imagina-se que os próprios pilotos são interessados em preservar as condições de segurança, mesmo porque eles sofreriam direta e pessoalmente as condições inseguras e possíveis acidentes. Ainda considerando que possam ser pressionados a se submeter a essas novas condições.

Cortar custos não é tão difícil. Examinar os números da estrutura de custos e ver aquilo que pode ser reduzido tende a ser feito rapidamente. Desde as iniciativas mais leves, como reduzir eventos, verificar contratos com terceiros, reduzir horas extras, diminuir atividades de treinamentos, postergação de investimentos para melhorar a ergonomia, segurança do trabalho e meio ambiente etc., até as mais radicais, como o corte de pessoal, passam a impressão de que as dificuldades estão sendo enfrentadas, pois os resultados são praticamente imediatos.

Porém, devemos destacar com clareza a diferença entre custos e desperdícios. Desperdícios são atividades feitas na empresa que não geram valor aos clientes. Por exemplo, transporte, esperas, movimentação, retrabalhos etc. são atividades realizadas na empresa que não agregam valor, apenas custos.

A redução de custos deve ser feita permanentemente através do foco na melhoria dos processos e eliminação dos desperdícios. E não com base em uma análise superficial dos números dos custos.

Custos são resultados dos ativos e das ações das empresas quer sejam aquelas que agregam valor aos clientes quer sejam as que são desperdícios. Reduções de custos focalizando nos números dão a aparência de resolver no curto prazo, mas fracassam no longo prazo, pois podem ser cortados “músculos” que dão força à empresa, ao contrário das “gorduras” que são os desperdícios.

Agora, algumas atividades que aparentemente podem ser cortadas em verdade são investimentos que podem criar condições para se ter uma empresa mais forte no futuro.

Políticas de conservação de caixa (congelamento de gastos e investimentos) podem surgir para enfrentar dificuldades momentâneas e conjunturais, quando deveriam ser permanentes. Ou seja, só se deve realizar investimentos e gastos realmente necessários.

Muitas vezes, essas políticas imediatistas encobrem a visão de outras oportunidades de redução de custos através da análise e eliminação do que gera os desperdícios.

Em épocas de “vacas gordas”, as empresas realizam investimentos errados que não cumprem promessas de retornos. Por exemplo, equipamentos ditos modernos que, quando colocados em prática, não funcionam adequadamente, exigindo maiores esforços de manutenção e não fornecem os volumes de produção previstos. Ou ainda, realizam aumentos de capacidade quando há capacidade ociosa, aumentando ainda mais os custos sem necessidade.

A mentalidade de pensar bem, avaliar profundamente e procurar alternativas antes de realizar quaisquer investimentos deve fazer parte da cultura da empresa. E não apenas em momentos de dificuldades. Ou seja, pensar como se estivesse sempre em crise, questionando todos os investimentos e realizando esforços contínuos para reduzir custos deve ser parte do dia a dia das empresas.

Eliminar os desperdícios deve ser um esforço permanente e contínuo de todos na empresa, em todos os momentos. Como consequência, os custos estarão sempre sendo reduzidos. E, com isso, a empresa estará em melhores condições competitivas de enfrentar eventuais quedas do mercado ou mudanças nas condições competitivas, sem desespero ou medidas radicais. Já as iniciativas pontuais de cortar custos para enfrentar crises podem ter resultados no curto prazo, mas não educam as empresas a entenderem o que é valor e o que é desperdício e a ter condições competitivas hoje e sempre.
 
Bibliografia:
FERRO, José Roberto (2013, abril 22). Cortar custos ou eliminar desperdícios?. Época negócios. Acesso 30 abr. 2013, na WWW: http://www.epocanegocios.globo.com
 
 
 
 

 

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